Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008

Livre Improviso

 

Fustiga-me a face o vento,

Dilaceram as minhas asas

Silvos cortantes, divina graça.

Sou surdo mudo cego, consento...

 

Penas à volta, céu todo o lado

Cantando minha voz de marfim,

Elevo-me como deus doirado

Não sendo, crio o Sol sem fim.

 

Sou senhor do tempo da esperança

Livre de sinónimos e ornatos

Deus-Rei de cabelos loiros e fartos

Sou pássaro livre, sou criança.


João
reflexo de turma 12º 12 às 14:05

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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

Ampulla

  Na ampulheta  passam, continuamente, de uma âmbula para a outra, os grãos de areia. Leve e sorrateiramente, silenciosos e apressados, fundem-se uns nos outros, sobrepõem-se numa rapidez imparável. Esperam a queda do último grão, aquele que dita o fim do ciclo, o juízo final.

  E aqueles que se julgam ser apenas meros espectadores desta viagem temporal, rebolam incessantemente na sua redoma, ignorando (melhor: querendo desprezar) que, muito mais que espectadores, são prisioneiros dela. Os olhos cobertos da névoa de engano renegam a realidade óbvia, o destino inevitável.

  Ignorância...Esse mar de engano, guia desses seguidores fiéis e dedicados, enfeitados de uma probidade procurada, para fugir ao término da viagem. Mas... ninguém lhe foge. Apenas não a vêem...porque não querem ver. Obra da ignorância, claro está. Esta é perigosa, mais ainda se nasce da vil profundeza da escuridão, daquilo que se idealiza quando se mastiga a óstea do sonho, do desejo da fuga eterna. E teimam em fugir com os olhos e com a alma ao compasso da  passagem dos grãos por entre a esguia figura de duas âmbulas. 

  Não... nós vamos fugir ao fim da viagem... nós sabemos que sim, pensam eles. E cometem erros atrás de erros... Sucumbem na ignorância como Judas na forca. Perdoem-lhes, que são homens! Pode ser que tenham um perdão! Mas... a ignorância perdoa-se? São eles que a fazem! Os homens fizeram a ignorância...e fazem-na todos os dias para fugir ao desengano. E raios o partam, que se lixe a merda do tempo! Nós temo-lo. Temos todo o tempo do mundo, dizem eles.

  Mas não. Os grãos continuam a cair, e ninguém os pára.

  Novamente a pergunta: a ignorância perdoa-se, se é feita pelo Homem? Há perdão? Roguem-no!

  Cai o último grão. É o juízo final. Aquele que era do mundo, terminou: o  tempo. O ciclo. Ele chegou. A ampulheta está e esteve sempre lá, naquela mão esquelética, contrária àquela que segura a foice..

  E mais uma vez, duas âmbulas e areia. A ampulheta. Aquela que nos acompanha sempre. Mas eles renegaram-na, taparam os olhos e inventaram a maldita redoma. Foram os homens. "Perdoai-lhes Senhor, que eles não sabem o que fazem."

Inês Rocha

reflexo de turma 12º 12 às 20:25

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Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

Fusão

Ali está ele. Não interessa o nome, não interessa como é, quer física, quer psicologicamente. Não vamos criar estereótipos e simpatias. O que interessa sempre é deixarmo-nos ir, independentemente do final da história, o que conta são sempre as peripécias, depois é só dar descanso aos coitados.

Pegou no pincel. Deixa-o escorrer sanguinariamente sobre a tela, que espera sedenta de vida alheia, só para saber o que é ter alma e adamastores dentro da carne fremente de energia. Ele mantém os olhos fechados, as mãos sabem representar como ninguém as ondas que rebentam na invisibilidade do sentir.

            O pincel funde-se com a tela. A velocidade é estonteante, dá a impressão de termos deixado passar por nós um furacão demasiado rápido para se ver. Quase toda a tela está coberta de vermelhos arrastados em todas as direcções, as pinceladas são velozes, ondulantes, vibrantes, como se tivessem esperado demasiado tempo para entrar em acção. E havia tanta coisa por dizer…

            Agora o amarelo, vários amarelos, sempre com o máximo de efeitos luminosos possíveis, amarelos eléctricos, intensos, angustiantes, com que ele vomita descontroladamente um triângulo sem base, no espaço deixado pelos vermelhos tensos, violentos e apaixonados.

            Falta o toque final. Não podemos ignorar o negro. Má ou boa, esta cor ronda-nos a todos. E lá está o negro, escorrido numa linha contínua por baixo do que seria a base do triângulo, se este a tivesse. Ele liberta o negro suavemente, cautelosamente sobre a tela. Há uma postura tétrica e elegante nesta cor que não que não podemos deixar passar em branco…só em negro, do qual a essência não convém perder.

            E aí está o quadro no seu todo. Nem ele se lembra de como começou, a primeira pincelada que deu, nada. Apenas a ressaca da festa de luzes e sensações que avivou naquele quadro branco, sem que nada o previsse. E aí está a obra, não de pedra e cal, mas de tinta, carne e tela. Mais uma obra abstracta como abstracto é tudo aquilo que sentimos.

            Ele olha a tela numa mistura de amor e transe. A tela grita-lhe em cor e em voz, toda a sua própria história, ou o que sabe dela, pede-lhe que lhe conte o que ele sabe.

            Ambos sabem a história agora. A história que não tem fim, porque não o sabemos e não o vamos inventar, a história que não tem fim, assim como não tem base aquele triangulo amarelo de todas as frustrações expelidas. Mas o que importa o fim? O que importa é deixarmo-nos ir não é? Claro que sim, agora sem duvidas.

            Ainda há muitas cores com diálogos reprimidos por aí. Ainda há muitas mãos dispostas a dialogar com elas. Criemos peripécias. Amén.

           

23-02-2008                                                                                                  

Sílvie

sinto-me: apaziguada
música: Da Weasel-toque toque
reflexo de turma 12º 12 às 19:07

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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

A ALEGORIA DE D. SEBASTIÃO

      
       
Filho mimado e mal-agradecido de Portugal e da Ilusão

 

E assim foi, ao retornar D. Sebastião, rabinho entre as pernas, despois de incompleta de glória e fama a sua visão, encontrou em Portugal uma nova nação, dos bêbados das tavernas fizeram-se poetas e fez-se leite e mel da maleita. Da velha História se fez novo conto e a promessa por fazer foi desfeita, essa meta que nem por nós foi feita nem por ele completa.


            Assim, ó louco, ó velhaco, ó três vezes maldito, que nos deixaste e perdido nos voltas, teu escudo quebrado e teu sangue cozido pelo calor infernal pelo qual trocaste Portugal, bem feito o seja, cabelo oxigenado e lábios de cereja, pois para ti foi menos mal, violado e cuspido devias ter sido, qual D. Sebastião qual filho de uma puta , tu que prometeste perfeito e não cumpriste numa luta que não era tua e nem te metia respeito e tu que belo destino perseguiste para dar à tua nação, aquando da tua vinda o fado triste com que se embala ainda. Mais valias, suponho, teres morrido, nobre e chorado, um sonho para recordar, que teres regressado maldito, pobre e por enterrar.


            Assim te renegamos, três vezes antes do galo cantar e para voltares para quem não te quer, morto ou vivo, homem ou mito, Cristo te ajude e Deus te castigue.


                              Bernardo Cam

 

reflexo de turma 12º 12 às 19:40

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Hoje é assim, amanhã não importa!

Hoje cheguei a uma conclusão muito importante. Importante?! Talvez não seja este o termo mais correcto. Lógica talvez seja a palavra mais adequada... uma conclusão daquelas que nos brigam a outra. Daquelas que nos obrigam a repensar algo que não queremos. Daquelas que nos obrigam acorrer atrás do tempo na tentativa de alcançá-lo ou de, quiçá, voltá-lo para trás. O tempo é meu amigo, sabes...? Perdoa-me, ajuda-me, até mesmo quando me falta. Mas desta vez não... Detesto a sensação de estar a ser cobarde, de não olhar-te nos olhos, de não tocar em nenhum assunto que possa vir desaguar neste. Porque na minha cabeça está errado, é impossível, é um crime contra mim mesma e os meus princípios. É uma falha de carácter e um desvio de inteligência que simboliza mil passos para trás! E para mim voltar atrás é atrasar a vida, atrasar o futuro. E eu não quero que o meu futuro se desmanche ou demore por tua causa. Não quero culpar-te por isso...

 

Hoje descobri que está estampado na minha alma o meu amor por ti! Preferia que fosse no rosto, e lavaria a face eternamente para te afastar o mais possível. Ou numa parte bem exposta do meu corpo e, unindo o útil ao agradável, passaria os dias na água da piscina. Ou nas unhas, e eu camuflaria o teu nome com verniz. Ou nas costas, e eu faria uma tatuagem para tapar a tua imagem. Era inevitável que eu me apercebesse disso. Há muito que te tenho evitado, feito arranjos para me ocupar para que quando te digo que "tenho andado muito ocupada" isso não seja mentira. Há muito que sinto um frio quente acariciar-me o corpo de leve quando vejo o telefone tocar e és tu, mesmo quando não atendo. E quando atendo fico a imaginar como estás vestido, como seria despir-te, onde estás. E tento convencer-me de que beijar-te não é assim tão errado, mas não consigo. E tento ficar longe de ti muito tempo, mas não aguento. E tento não amar-te muito mas não tenho sucesso. E mesmo assim não me deixo levar... luto comigo mesma!

 

Hoje decidi que te ia escrever esta carta. Para confessar, assumir, aceitar, encarar, lidar melhor com isto. Sabes quando digo que podes fazer isto e aquilo por mensagem, mas em termos reais nunca (mais)? É porque a simples ideia de voltar a tocar-te me inquieta. Não quero pensar em prazer quando penso em ti, nem em nada que se ligue a esse campo semântico. Não quero ter por ti qualquer sentimento romântico, qualquer desejo por ti provoca um trânsito nas minhas ideias e elas encavalitam-se, misturam-se, desarrumam-se, perdem-se aqui dentro da cabeça, mudam-se de mala e cuia para o coração, que não é de todo lugar de ideias! Estou a dizer-te que estou apaixonada por ti, e também que não te quero para mim. Quero apenas que saibas, que tomes conhecimento. Não espero nem exijo qualquer atitude, reacção, e espero que não haja da tua parte qualquer mudança na forma de encarar. Seja para melhor ou para pior, seja para mais ou para menos... É irónico, não é?! Amar-te e não te querer... Ou querer-te por perto, mas evitar o desejo de querer ter-te por dentro. É! talvez eu seja mesmo do contra, talvez tenha mesmo uma tendência e uma predisposição para fazer tudo ao contrário, talvez eu veja  e viva o mundo de cabeça para baixo. Lol, deves até achar divertido ouvir-me dizer isto. Logo eu que digo as coisas para testar as pessoas. Eu que faço teatro. Eu que gosto de jogos de xadrez e de sedução. Eu que nunca digo nada por acaso.

 

Hoje é um dia diferente para mim. Estou a expor um lado que não conheço bem, que me deixa desconfortável, que me faz sentir vulnerável. E tu... deves estar a pensar de onde veio isto, porque te digo isto, se estou a falar a sério ou se depois de analisar a tua reacção vou soltar uma gargalhada e dizer que é tudo brincadeira! Porque sou imprevisível, porque de mim esperas tudo, porque não há muito que eu não seja capaz dependendo do estado de espírito. E quase aposto que não estás a conseguir definir qual é o meu agora... Bom, está dito! Agora já posso ser eu outra vez, livre, leve, solta, sem palavras entaladas, engasgadas, sufocadas, demoradas, hesitantes na garganta. Gosto de não deixar nada por dizer, de não ter medo de falar, de dizer as palavras exactas quando me exprimo, de não me curvar às normas de ninguém. Estou mais serena. Mas também acho que estas revelações me vão atrapalhar o esquema, a vida, tudo!

 

Amanhã não sei como vou olhar para ti. Sei que não me vou sentir tão segura como sempre me conheceste, tão segura do que quero e posso, do que sinto e penso, de mim mesma e do mundo que me rodeia. Sabes bem que não gosto de assumir nada que tenha compromisso. Tenho pânico de assumir qualquer relação se for como as que me propões, ou melhor de assumir sentimentos. Assumir relações não é o mesmo que assumir sentimentos. Assumir relações significa que reconhecemos e respeitamos a outra pessoa perante ela e os outros. Reconhecer sentimentos significa estar á mercê das consequências que prefiro que não existam. Não gosto dos apaixonados. Acho ridículo contar os dias que estou sem te ver, as horas que faltam para te ver por aí num lugar qualquer, na tua casa, na rua. Porque para mim Amar é que escrever sem tinha e sem nexo e Amor é uma noite esquecida num dia de sol, um olhar a preto e branco, uma anúncio sem imagem. Amor é um sentimento que me desequilibra, que me faz sonhar (que é algo que não costuma acontecer com frequência), que me deixa mais preocupada, sei lá se com o rumo das coisas, se contigo. Comigo também... principalmente quando acho que esta fase de loucura e insanidade está a demorar para passar. Eu amo de um jeito esquisito, eu acho... Recuso-me a amar porque interpreto o amor como um inimigo da minha racionalidade. Mesmo que em momentos raros (não sei se de lucidez ou de falta dela) eu ache que isso é tudo pura e mera pancada da minha cabeça, e que devia ser mais sensata, mais normal, mais romântica... Mas tu também já sabes disso.

 

É isto que tenho para te dizer, que te amo, e que sou apaixonada por ti e que não quero nada em troca. Nem um sim!

Liana Rodriguez

reflexo de turma 12º 12 às 15:34

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Me escuta, por favor

Meu amor, encontrar as palavras certas para dizer algo de importante nunca foi tarefa fácil. E agora, ainda por cima, encontrar as palavras certas para te falar de amor, o meu amor, é tarefa bem mais difícil. Não sei se vai ser nesta carta que vou exprimir tudo o que sinto, e talvez até já nem se usem cartas como forma de expressão, mas eu escrevo! Porque não posso adiar o meu amor para outro dia, não quero que este grito me sufoque ou se afogue na minha garganta. Porque adia-lo é deixar que esta dor estale e arda e eu não posso adiar este abraço que te quero roubar, é a minha própria vida... não a posso adiar!
Amor é termo que ainda ninguém soube definir ao certo. Nem mesmo os maravilhosos poetas que o tentaram fazer conseguiram. E talvez o que eu te vá dizer muita gente já tenha ouvido, pensado, vivido, sentido... mas ninguém o sentiu como eu! Aquele bater forte do coração quando estás por perto, o corpo a tremer, aquela sensação de inquietação irritante (que apesar de tudo sabe bem!), o friozinho na barriga, o pensamento sempre à volta do mesmo, uma respiração apressada, o evitar dizer algo de errado porque estás por perto, a vontade de dizer o teu nome, de estar junto a ti, de dizer em alto e bom som que te amo e que sou tua por vontade própria de me prender a ti. Sem ti vou fingindo a minha vida com o desgosto de não seres meu e chorando por um beijo que não virá.
Meu amor que vem não sei de onde, que dói não sei porquê, a secreta angústia do desejo, o querer alguém que não me quer. Ser o lixo de alguém, as cartas rasgadas que alguém não lê. É um sentir-me carente, esquecida. Como uma escrita inútil na areia do mar, como falar sem ser ouvida. É trazer nos meus olhos as minhas lágrimas e as dos outros. É sentir-me ser beijada mil milhões de vezes sem que os teus lábios encostem nos meus. É um vazio no meio do tudo. É uma cura que adoece. É uma escrita que vem com o anoitecer (quando depois do sol não vem mais nada). É estar alegre, feliz, contente e triste, melancólica e nostálgica ao mesmo tempo, sorrindo por ter sonhado o impossível, por ter enfrentado o sonho sem saber sonhar. Tudo o que amo perde valor quando não estás presente, quando não posso partilhar contigo as alegrias e vitórias das minhas conquistas diárias. Tudo o que me importa perde sentido quando não estás aqui para amparar-me quando o meu mundo se estilhaça. Tudo o que me faz sorrir perde prazer quando não estás aqui porque fico sem chão!
 Amor que não explica nem resolve nem duvida mas que me envolve como o vento às folhas, como a lua ao mar, como o beijo perdido e teu com o qual sonho nas noites sem dormir... Amor que não hesita, que é forte e ousado e teima em não partir. Amor que me angustia, que me culpa e me confunde. Sentimento destabilizador, enevoado e sem resposta. Amor que desequilibra, segredo assumido que me faz chorar e sorrir sem alternância. Doce amargura que me engana os lábios. Amor que é um enigma sem resposta, um quebra-cabeças sem solução, um mistério sem explicação plausível e racional. É uma indiferença que em vez de me fazer perder as forças impele-me a persistir. É um olhar mortífero que em vez de me matar me mantém viva. É uma pele mortal que me é vital. É o toque de quem não me toca, o cheiro que só sinto de longe, o abraço que espera e demora e tortura a minha esperança de um dia ver-te chegar mais perto.
Meu amor que foi sei lá pra onde e não voltou, que se dispersou no ar e no tempo sem me dar um adeus. Amor que me frustra e me anima. Que me sorri e me ignora. Que me ergue mas também me faz tropeçar. Amor que me passa ao lado, de raspão como uma brisa quente de verão numa tarde de Inverno. Amor que me alegra ao deprimir-me. Amor que me congela ao aquecer-me. Amor que me mata ao dar-me vida. Amor que amo ontem, hoje e sempre. Amo-te por ti e apesar de ti. É um amor de que quero e não me quero libertar. É um amor que me conforta, consola e sossega mas que também entristece, tumultua e faz chover. É um amor que me enriquece e me dá esperança mas também me fadiga e desespera. Arrebataste-me com um poder ao qual não posso resistir. Seria capaz de morrer para te garantir a segurança, o bem-estar e a integridade... És o meu credo e o meu único dogma mas sem ti não consigo respirar direito. És uma oferenda que nunca foi só minha, uma almofada que não me pertence mas que abraço para adormecer. És o meu raciocínio perdido e sem lógica, a minha mais alta ambição. És vida que cresce em mim e me invade a alma com um frio que me aquece e faz bater o meu coração através de uma pulsação que é quase uma música. Uma música que soa sem som...
Amar é isto! É sentir tudo por um mesmo alguém. É passar e ultrapassar todos os estados de espírito por causa de uma só pessoa. É experimentar todas as sensações por causa de um mesmo indivíduo. É existir por essa pessoa, resistir por essa pessoa, persistir por essa pessoa e desistir por essa pessoa. Em momentos e circunstâncias diferentes. Por razões, motivações e causas diferentes. Muitos sentem e definem o chamado "amor" de outras formas. Muitos vivem-no de outra maneira. Mas na minha essência, na minha explicação e na minha resposta AMAR: É achar-me quando estou perdida. É querer perder-me assim...
 
reflexo de turma 12º 12 às 15:31

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Tudo isso é... Saber viver!!!

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.

Quando me amei de verdade, pude perceber que minha a angústia, o meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou a ir contra as minhas verdades.
Hoje sei que isso é...Autenticidade.


Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de... Amadurecimento.


Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesma.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito.


Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início a minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama... Amor-próprio.


Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é... Simplicidade.

Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.


Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.


Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é... Saber viver!!!
By Liana Rodriguez

música: http://www.youtube.com/watch?v=6KNiCOgc0CE
reflexo de turma 12º 12 às 15:22

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Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008

gangrena

do que tenho de bom comigo, nos escassos instantes, abdicava agora, se soubesse que o que vejo é produto de sonho. o céu que me pareceu malha de mescladas cores, algo tortuoso, cinematográfico, irreal, se me é permitido afirmar tal coisa, tem de ser o sonho de que posso acordar. tudo é difuso e demasiado inalcançável. chego a arfar com tanta ilógica. só gostava que caridosamente me acordassem dum só estridente grito para que assim respirasse de alivio e escapasse destes ensinamentos incómodos, pensamentos, reflexões, veneno para a alma.

o que deixaria para trás, veneno e placebo, seria facilmente ultrapassável com um vómito, sem traumas. tudo o que não gosto de sentir, saborear e experimentar deve ter um motivo. tem um motivo. não pertenço a nada disto. não lido bem com condicionantes.

03/02/08

gonçalo julião.

reflexo de turma 12º 12 às 08:26

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L'Aventura da Rapariga Diamante e do Rapaz Mudo

                                               

                                          AS AVENTURAS

DA RAPARIGA DIAMANTE

        E DO RAPAZ MUDO

           

Era uma vez uma rapariga diamante. Ninguém gostava dela porque todas as suas faces reflectiam o mundo e todas as suas faces reflectiam todas as pessoas melhor do que eram. Era uma vez um rapaz mudo. Ninguém gostava dele porque o seu silêncio era ensurdecedor e dizia mais verdades num olhar do que um som. Um dia encontraram-se e decidiram fazer da sua vida uma aventura.

Vivem no seu mundo simples, preso dentro do mundo complexo de máquinas ambulantes e de roldanas esmagadoras. Acordam e levantam-se, com os seus pijamas vestidos, azul para ele, vermelho para ela, para o Sol da manhã, enquanto lá em cima se ouve o atarefado passo dos vizinhos, o cheiro a café e torradas e a súbita nostalgia de um tempo que nunca foi nosso. O pai grita com a mãe, a mãe grita com o filho, o filho grita com o cão, e o cão, último na cadeia de zaragatas, implode com stress e tem uma paragem cardíaca. Mas lá em baixo eles só apreciam o vão nascer do Sol. Sem palavras, sem excessos. No silêncio intimo mais frequente a estranhos que a amantes.

Oiçam, fazem amor! Há quem perca a noção infantil da meia-noite nas luzes modernas, mas eles não. Amam-se pela noite fora, o tempo esquece-se apenas para ser um presente eterno, as doze badaladas inatingíveis. Como tal, pela noite adentro, ele beija-a e ela sorri-lhe até adormecerem sossegados, aconchegados um ao outro, descansados o suficiente para, depois do acordar, voltarem ao mesmo. Não os incomodemos.

Mais tarde, já vestidos, ele no seu fato castanho e gravata frouxa, o desalinhado cabelo loiro mistura-se nas labaredas ruivas do dela, as chamas de uma qualquer metáfora insuficiente, vão passear por aonde ainda não passearam, admiram as montras e admiram-se um ao outro (observem os transeuntes, cada qual teimando o silêncio do jovem casal) e por fim vão passear para o parque onde um dia irão levar a sua criança.

Param para almoçar, ela fica tão bem no seu translúcido vestido branco, curto mas não tão curto que possa atacar o pudor das senhoras de mais idade, que digamos, já se sentem chocadas o suficiente com o perfil dos seus seios e ambos comem e bebem levemente. Acaba a refeição e conversam, ele fumando e ela bebendo o seu café. Ele sorri. Ela mostra-lhe a língua. Ai os jovens, o que se há-de fazer? Em breve saem e passeiam de bicicleta, mas olhem que visão tão estranha, se é que ele não é um anjo loiro sem asas, a andar de bicicleta num fato? E ela, coitada, não pode impedir Zéfiro contra a impotência aerodinâmica do seu traje.

Vivem sem luxos nem excessos, o dinheiro não lhes pesa na consciência porque não o têm, e trabalho? Evitam-no porque os separa, e eles estão sozinhos no mundo, mas são um mundo só eles os dois. Sem as faces dela, o rapaz mudo não tem onde se olhar e reflectir a verdade pelo mundo. Sem o olhar dele, a rapariga diamante não pode reflectir a beleza que transparece dele. Cada um faz o mundo ser melhor todos os dias, mas fazem-no juntos e no entanto, mal têm para pagar a renda. Mas enfim, há que se submeter á vida das luzes modernas e ele ensina o latim quando pode e ela ensina o piano quando o desejam. 

Chega o lusco-fusco e voltam ao seu vazio apartamento. Branco, espelhado e simples. Jantam simplesmente, sem velas nem quaisquer adereços românticos. Jantam sós e isso basta. Ela levanta-se e começa a tocar e ele começa a vestir uns dos vestidos dela e começa a sua ímpar dança rústica pela divisão. Entra a valsa e começam a cantar. Há riso e vinho e calor que chegue e sobra, escapando-se pela grande janela aberta, aquecendo o mundo. Chega a noite e deitam-se sem doze badaladas. Para eles ainda falta muito para as doze badaladas. Nunca irão chegar as doze badaladas.

             

                                 L'ombre de ton Chien
música: John Legend - P.D.A. We Just Don't Care
reflexo de turma 12º 12 às 07:44

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Sábado, 9 de Fevereiro de 2008

Cubículo "feio"

Como é que uma pessoa sabe o que realmente quer?

Quanto mais terei eu de sacrificar aos deuses para que me digam se vale a pena? Vale a pena?

E porque tenho eu de sacrificar aos deuses quando nem sequer acredito neles? Aliás, em que acredito eu? No Homem? Nos outros? Em mim? Não, não acredito em mim...

Desde pequeno que perdi a capacidade de acreditar. Desde pequeno que tudo corre mal: o meu cão morreu; as minhas tartarugas afogaram-se (estúpido, eu sei, mas foi o que aconteceu); os meus pais separaram-se... Mas isso tudo são coisas que acontecem na vida, nada demais, podem pensar. No entanto, o problema reside numa só razão: a culpa. Desde sempre (e não só desde pequeno) que me culpam de tudo: culpam-me de ter nascido (não sei como...); de ter estragado a bicicleta do meu irmão; de ter deixado o cão morrer quando foi ele que se atirou pela colina abaixo; de ter afogado as tartarugas, apesar de eu sempre ter opinado que elas, na verdade, não se afogaram, mas que se tinham engasgado com a enorme porção de comida que o meu irmão lhes deu (mas isso é simplesmente uma desculpa aos olhos dos meus pais, “como é que o teu perfeito irmão iria ser tão descuidado?”); também me culparam do divórcio dos meus pais, principalmente o meu irmão e a minha avó (a do lado do meu pai, a que ainda está viva, infelizmente), disseram e continuam a dizer, cada vez que nos encontramos, que não percebem como me aguentaram estes anos todos, que sou uma desgraça para a família, que foi por minha causa que os meus pais se separaram, já que não conseguiam lidar com o facto de terem juntos um filho tão “feio”.

Como podem reparar, quer por razões lógicas, quer por razões ilógicas, fui sempre ensinado a sentir-me culpado. Por  mais absurdo que seja o motivo, sou sempre o culpado. E, na realidade, acabo por sentir-me dessa forma, só com a pressão toda: parece ficar mal não me sentir culpado quando todos à minha volta me dizem que sou. Racionalmente, sei que não sou culpado, mas para quê remar contra uma maré que não tem fim? Faço de conta que me considero culpado e, assim, eles ficam felizes e não me chateiam e, consequentemente, eu fico feliz porque eles não me chateiam. O problema (mais outro) é que me dizem tantas vezes que sou estúpido, miserável, culpado e tonto que eu chego a acreditar que sou mesmo isso tudo. Perdi toda a minha auto-confiança, não acredito nas minhas capacidades, só na minha falta delas. E já viram quantas vezes repeti a palavra culpado no mesmo parágrafo? É para terem uma noção do estado em que estou...

Por não ser capaz de acreditar, não sou capaz de sonhar. Não sei o que é querer muito alguma coisa, desejar tanto algo  que sacrifico tudo para obtê-lo. Nunca pratiquei o verbo sonhar (a não ser sonhar quando durmo, mas mesmo os sonhos me são escassos nas minhas noites de insónia abundantes); nunca tentei procurar qualquer coisa que me satisfizesse porque nunca senti necessidade de me satisfazer. Por isso, pergunto como é que uma pessoa sabe o que realmente quer. Aliás, o que é querer? Podem não me responder à pergunta, não preciso da resposta.

Neste momento, analiso a minha vida e obtenho várias conclusões: tenho um emprego estável que não me diz nada; uma namorada bonita que me cumpre simples e desinteressadamente o desejo carnal (mentira, eu é que lhe saceio o desejo com puro sexo – com ela, sem ela, para mim tem o mesmo resultado); tenho uma família (ou não tenho família) que me quer ver bem longe e, quanto menos notícias tiver de mim, melhor... Olho para a minha  vida e vejo que é este o meu sacrifício aos deuses: nada, não ter absolutamente nada que faça sentido na minha mesquinha existência. Chamo-lhe sacrifício aos deuses porque é a única maneira que consigo encontrar para justificar este vazio. Tenho de me sujeitar a este remoinho de coisas inúteis e fúteis ao qual chamam Vida. Não tenho outra escolha e, enquanto Cá viver, tenho de carregar comigo todos os defeitos do mundo: o egoísmo das pessoas; a maldade delas; o seu veneno; a sua hipocrisia; o seu cinismo; a sua inveja... Tudo. E aliada a esta combinação espectacular de Mal, está a impossibilidade de eu poder ter algo que me motive, alguma esperança de um dia melhor, alguma vontade de fazer qualquer coisa, algum sonho pelo qual lutar.

Sabem, eu tenho uma conclusão, não escrevo isto tudo só para terem pena de mim. Se perceberam o que leram até aqui, sabem que a vossa pena não me afectará, é-me indiferente se vocês são boas ou más pessoas, se gostam de ópera ou se preferem uns tipos todos bêbedos a gritarem palavras ao som de guitarras berrantes... Não me interessa.

Só quero que saibam uma coisa e uma coisa apenas: sejam felizes por serem sonhadores, por terem desejos (nem que sejam os mais básicos), por poderem optar por outras alternativas... Porque desde pequeno que me ensinaram a sentir culpado e a não acreditar. Isso limitou-me a este cubículo “feio”.

Portanto, sonhem. Vale a pena.



D-Furikuri .~.!

música: BUTTERFLY
reflexo de turma 12º 12 às 18:22

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Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

I

há muito que precisarás de conhecer a meu respeito. preciso de conhecer tudo a teu respeito. não sabia nada de mistérios à volta da minha pessoa. digamos, quero-te a ti e aos mistérios que tenhas, para que mos reveles, Fala-me dos anos que passaste e que te lembres, quero o antes e o depois, as épocas de que tenhas mais saudades, fala-me também das tuas emoções quero saber o que há que em ti que não mostras, diz-me os teus sinais de nascença, e faço desenhos na tua pele, rabiscando uma e outra constelação, correr as tuas entranhas, deixa-me, vasculhar e expor-te a mim, e ter alguém que não venha a recear pedir desforra, raspar a fuligem desta casa queimada. vais mesmo escrever isso. e já sabia que o dirias. na verdade gostei do que escreveste mas, cá dentro tudo me diz que não devo aceitar emoções de qualquer ordem destrutiva. destrutiva, gosto disso. pois gostas. e incendiaste a cabana por que razões desconhecidas. foi construída embebida em álcool, o ardor das feridas tratou do resto. ajudo-te a construir uma melhor. uma pergunta. era, agora é realidade, Gostas. não vejo nada. é porque não ajudaste.

05/02/08

repetitivo ou não, está aqui.

música: dream a little dream
reflexo de turma 12º 12 às 11:57

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