Domingo, 4 de Novembro de 2007

Não se bate à porta

  Ela bateu três vezes à porta. E foi-se embora, sem nada saber.

 

  Há dias em que se chora, há dias em que se ri, há dias em que se aprende. E há dias que são uma mistura de tudo isso. Como esse dia.

 

  Ele ficou aborrecido… Ela já devia saber que não precisava de bater à porta. Sim, ela devia saber. Mas e se não soubesse? Não… Ela já devia ter percebido. E chorou, confuso e indeciso. Perdido.

  Na verdade, ela não sabia. Nem sonhava! Desejava não ter que bater à porta, porém julgava a realidade desse desejo relativamente inverosímil. Pensava que nunca teria hipóteses, que bateria sempre… Sempre.

  Ele não conseguia dizer-lhe. Estava ciente de que iria arrepender-se, se o fizesse. Era um estúpido. Inexoravelmente idiota. Mas simplesmente não conseguia, aquela frase ficava-lhe presa na garganta. Era uma janela por abrir.

  Era uma aproximação adiada, julgada impossível. Ela não conseguia aproximar-se por receio. E não se aproximava. Ele não conseguia falar por receio. E não falava.

 

  Mas nesse dia, tudo foi diferente.

 

  Ele foi ter com ela. E disse o que tinha a dizer. E ela ouviu.

 

  Um sorriso.

 

  Ele dissera finalmente: “Gosto de ti”. E ela ficou a saber aquilo que há tanto tempo queria ouvir.

 

  Nesse dia, ele aprendeu que há janelas por abrir, e há que abri-las, sem reservas nem receios. E ela aprendeu que não é preciso bater à porta. Porque quando alguém nos abre uma janela, quando somos desejados, a porta está sempre aberta.

 

Inês Rocha

reflexo de turma 12º 12 às 12:03

link do reflexo | favorito
De Terry C. a 5 de Novembro de 2007 às 17:56
um registo muito, muito diferente e que me deixa impressionado!
defacto, não me pode desiludir pois é algo novo e não me desgostou, está claro.
mas que imbróglio de parolice fizeram as tuas personagens, bem reais, para não deixar de ser, mas às quais deste, vivamente, um bom destino, vá... passando pela brilhantiiiiIIiissima expressão que usaste para descrever a então aprendizagem das personagens, que vai meio contra o princípio do abrem-se janelas fecha-se a porta...a casa terá de arejar, convenha-se!eheh
e o admiravel positivismo que tornaste tão presente faz deste o teu mais leve texto que até agora li!
parabéns!!!
que tenhas mais ondas destas!
beijinho
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