Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

Reflexos... pensamentos, ideias, conclusões!

Os últimos cinco anos da minha vida são sem dúvidas os que mais me marcaram. Os últimos quatro são definitivamente os mais intensos. Os últimos três são sem sombra de dúvida os mais conturbados. Os últimos dois são sem margem para contestação os mais confusos. O último, é o mais definitivo. "É" porque ainda não acabou."É" porque sempre me vai prender a lugares e a pessoas e a laços que criei e/ou destruí com maior ou menor consciência e facilidade.

 

"Sempre" sempre foi uma palavra demasiado abrangente para o meu espírito livre, liberal, libertino... e confrontar-me com o peso do seu significado é, forçosamente incómodo.

Mudei de casa, mudei de escola, mudei de mentalidade. Cresci, adaptei-me aos outros e deixei de viver independente deles. Tornei-me menos irresponsável, mais justa e com melhor "timing", diria alguém. Percebi que tudo o que quero, posso, sinto e faço afecta os outros e que isso é inevitável. Percebi que muitos dos que rodeavam estavam a mais e muitos dos que estavam longe me provocavam uma sensação mais angustiante do que a saudade: Insegurança, instabilidade... nostalgia, talvez - embora sabe-se lá porquê essa palavra na minha cabeça seja associada ao Natal, a que eu não ligo pevas!

 

Desde já nem sei quando achei que deixar-me conduzir por outros era perder voluntariamente a minha independência, tornar-me vulnerável, frágil, estúpida, reprimida, condicionada, controlada, manipulada - dando a outrem o controlo que me pertencia e que muitas vezes me induziu em erros crassos, imperdoáveis, incorrigíveis. Nao tenho escrito muito... creio que se nota. Tenho lido, desenhado, pensado mais do que escrito mas julgo-me, no entanto, capaz de sintetizar tudo o que pensei e conclui ate aqui.

 

Um breve aparte, menina-mãe, sei que andas muito triste comigo e decepcionada, mas também disseste que não havia um meio termo possível. fico feliz que aproves o meu novo eu, a minha nova vida e todo o que me envolve desde as pessoas aos objectos. Vou mandar-te fotos.Estou igual em termos de aparência, acho eu. Mas assumo-me como mais feliz, mais dada a conceções, e tornar-me assim mais flexível faz-me bem... faço feliz e sou feliz em consequência.

De uma forma geral penso que a evolução do meu personagem foi benéfica, e lenta de certos pontos de vista. Talvez tenha vindo na altura certa, com a pessoa certa. Bom, a verdade é que é agora que essa evolução mais se manifetsa porque estou mais longe do meu eu no princípio e há dias em que não me reconheço! Tive pena que o saldo tenha acabado num momento fulcral da conversa, mas hei-de voltar a ligar muitas vezes mais porque ainda que eu saiba que me vais entender quanto as respostas as perguntas que me fizeste, existem coisas que eu própria nao sei. Por exemplo, nao sei exactamente o que pretendo. Não tenho a certeza se quero mudar algo ou tudo, se me quero justificar, se quero apenas reconhecer que falhei muito...

 

Acho que esta distância geográfica quase me matou, sabes? Senti que um pedaço da minha vida estava pendente, como um problema que nos martela a cabeça a pedir "resolve-me". Mas não quis resolvê-lo. Sinceramente nao quis porque na altura nao era capaz de entender os outros, eu gostava, detestava, e me sentia incomodada, tinha uma perspectiva mais extremista, radical, directa, racionalista de ver as coisas pa-me a entender certas atitudes. Continuo a encarar essas atitudes da mesma forma. Incomodam-me. mas já sou capaz de as entender e até de perceber a minha culpa no meio de tudo isso. Acho que a chamada caiu quando eu dizia que "foi melhor assim porque"... foi melhor assim porque existiam duas felicidades e uma implicava a incapacidade da outra e eu optei pela minha porque entendia que a outra dependia de si própria e nao de mim.

 

Voltando ao assunto, o que penso de mim mesma? Uhm, que tenho uma boa capacidade de persuasão, que tenho o dom de alterar o estado de espírito dos que me rodeiam e que nao sei adequar a minha mensagem ao seu destinatário. Também sinto que muitas vezes nao fui capaz de abdicar da minha lei suprema em prol de algo maior, mais bonito, mais necessário, mais importante. Houve alturas em que me senti segura, outras em que tinha a certeza de estar a fraquejar. No entanto, em ambas as situação deixei tudo como estava. Mais ou menos tarde eu tomava consciência do como e do porquê quando fui cobarde, quando tive coragem, quando tive medo, quando assumi que errei, quando nao assumi que errei, quando magoei os outros, quando fiz feliz os outros, quando fiz sorrir os outros, quando dura de mais, quando fui insensível, quando chorei, quando mudei.

 

De ti não penso nada do que pensas que eu devia pensar. É verdade que sempre me quis desviar das tendências alheias, achava que era diferente, sabes, que nao tinha nada a ver, que nao me podia encaixar e ao pensar assim feri os meus próprios valores de amizade, de coerência, de sinceridade também porque nao fiz o que disse nem disse o que fiz. A verdade é que nada me obrigava a isso, e ainda hoje me questiono sobre qual foi o momento mais errado. Do meu ponto de vista a falha foi em nao cumprir a minha lei numa primeira fase, mas podem ter sido vários, sim, foram muitos...

 

Depois da chamada cair fiquei a tentar terminar a frase por mim mesma e senti-me culpada, procurei uns cadernos em senti-me fria, li esses cadernos e senti-me má. O resultado do que na altura julguei ser o mais indicado é uma sensação de que podia ter evitado muita coisa que demorei a perceber que me doeu tambem. Não é pena, nem vontade de recuar o tempo. é tisteza por ter aberto uma vala enorme entre duas vidas. Tristeza por ainda hoje achar que nao tinha alternativa melhor. Tristeza por não entender o motivo de a vida constantemente me confrontar com essa vala. Tudo isto se processou, como sempre, a longo prazo. "Mau timing", Desculpa...

sinto-me: triste porque sou feliz
música: Cruz - Christina Aguilera
reflexo de turma 12º 12 às 12:40

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