Sábado, 22 de Março de 2008

Amizades

Hoje acordei e passei praticamente o dia todo a pensar em como estou longe deles. Em como sinto a falta deles. Em como os deixei sem pensar que os estava a deixar. Em como passámos bons momentos. Em como criámos boas amizades. Em como éramos unidos. Em como eu pensava que nada ia mudar. "Enganei-me", penso.

 

Ser amiga é difícil, sabem? Principalmente quando queres ser uma boa amiga e dar o melhor de ti e fazer tudo que podes pelos teus amigos porque significam muito para ti. Mas ser uma boa amiga é mesmo difícil, é tão difícil que me apetece desistir. Fico a pensar porque é que continuo a insistir e a esforçar-me para manter as minhas amizades, se a amizade não é um esforço nem sequer uma insistência. "Não há resposta do outro lado ou se há, é pouca." Talvez sou eu que espero ou exijo ou, melhor, preciso de mais. Existe uma frase em Latim, dita por Séneca: "Minus habeo quam speraui: sed fortasse plus speraui quam debui” – “Tenho menos do que esperei: mas talvez esperei mais do que devia”. Sempre dei e quis dar o meu melhor no que diz respeito aos meus amigos. E acho que cumpri o objectivo. Eles que digam se sim ou não. Não nego que desiludi pessoas, tenho consciência disso, mas também sei que as alegrei e as ajudei. Também não nego que me senti e sinto-me desiludida (às vezes), quando penso nos meus amigos. Não direi todos, mas os mais importantes. E isso é que é lixado. Haha...

 

Sou parva. Sou estúpida. E a culpa é minha. Penso que os únicos responsáveis pelas nossas acções somos nós próprios. Ninguém me disse para eu dar tanto, não é? Ninguém me mandou ser tão amiga. Eu apenas quis ser e quis dar. Ninguém pediu nada. E ninguém tinha de pedir. Acho que estou a exagerar quando digo “tão amiga”. Quer dizer, também cometi erros, também magoei pessoas. De certeza que os meus companheiros não gostaram de atitudes minhas.

 
Não mostro muito o que sinto de negativo. Tento manipular as coisas más e transformá-las em boas. Muitas vezes, falho. Haha... Mas continuo a não demonstrar esses “pormenores” infelizes. Sempre e, agora mais do que nunca, quero ter a ousadia de arriscar. De poder mostrar as coisas negativas que sinto. Apetece-me rebeliar, tornar-me rebelde, sim, partir a loiça toda! Assim seria tudo mais fácil... Acredito cada vez mais que existem aquelas pessoas que nascem para não pensarem no que fazem e aquelas que nascem para tudo cumprirem. Eu nasci do segundo tipo, querendo ser do primeiro.

 

Apetece-me fumar, apetece-me gritar com as pessoas, apetece-me bater em alguém, apetece-me ser mal educada, apetece-me responder mal às pessoas (ok, isso já eu faço de vez em quando), apetece-me ter maus resultados, apetece-me ser irresponsável, apetece-me não pensar no que estou a fazer, apetece-me ir contra tudo aquilo que eu defendo, apetece-me ir contra mim própria e ser aquilo que não sou. Apetece-me ver a cara de estúpidas que as pessoas farão se me virem a descambar por aí, a fazer tudo ao contrário. Apetece-me acabar com as expectativas (ou falta delas). Apetece-me rebentar com isto tudo.  Mas fico-me pelo apetecer... A consciência e a racionalidade e a responsabilidade inatas e condenadoras de mim própria impedem esta  revolução (mas não a vontade).

 

Apetece-me esquecê-los. Quero (ou não) um novo grupo de amigos que os subtitua. Estou cansada e triste de esperar por coisas que eu sei que não vêm. Cansada de dar sem receber. Não quero com isto dizer que só dou para ser recompensada, mas é normal que uma amizade entre duas pessoas seja recíproca, não é? Mas não sinto mais que as minhas amizades sejam dos dois lados. Talvez esteja a ser injusta com eles. Mas é o que eu sinto. Desculpem. (Vêm? Porque estou eu a pedir desculpa? É o que eu sinto! No entanto, peço desculpa porque posso estar a magoar alguém. É isto que eu gostaria que não acontecesse. Queria poder não pedir desculpas, queria poder ser mazinha, deixar de fazer as coisas certas, deixar de ser boazinha...).

 

Volto a afirmar: ser uma boa amiga é difícl, sabem? Tão difícil que me apetece desistir. Só que, para variar, fico-me pelo apetecer... Quando eles ocasionalmente dão sinais de vida, o “apetece-me” desaparece. E, por isso, sou parva, estúpida e culpada. Nem que digam que sentem a minha falta porque acham que cai bem ou então porque pensam que devem dizê-lo mesmo que não o sintam, eu acredito. Eu acredito porque eles são eles, os meus amigos. Os que mais significado têm para mim, (in)felizmente.

 

Acho que não conseguiria dizer isto sem ser através da escrita. Mas prometi a mim mesma que não me deixaria enganar por palavras, nunca mais. Nunca mais mesmo porque elas são traiçoeiras e, normalmente, representam promessas que não se cumprem. No entanto, estas palavras mais sinceras não podiam ser.



D-Furikuri
música: I Really Want You - James Blunt
reflexo de turma 12º 12 às 18:10

link do reflexo | reflectir | favorito
|
1 comentário:
De ó betalhona a 23 de Março de 2008 às 15:40
gostei de ver, n esperava... adoro-te

Comentar reflexo

. por detrás dos reflexos

.pesquisar reflexos

 

.Novembro 2009

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.Reflexos Recentes

. Vandalismo Virtual

. Uña Experiência

. 091009

. Tempo

. K.O.ALA

. Obstinação

. Destino, a pedido

. (...)

. Por Favor

. Onanismo

. Sinos tocam no horizonte ...

. A Era da Igualdade

. Origem

. Onanismo

. É intenso

. Reflexos... pensamentos, ...

. Descrições de Uma Planaçã...

. Thesaurus

. A Título

. Hoje tanto faz

.Arquivos

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

.tags

. todas as tags

.Outros Reflexos