Segunda-feira, 3 de Março de 2008

O Retrato de um Casal por Consumar

            (Espero que não se ofendam, veio-me à cabeça e sei que não tomarão isto mal, mas mais vale prevenir que remediar… Suponho que poucos perceberão todo o pensamento dado a este texto, se bem que o elefante já tenha desaparecido…)

 

Encontrava-se o cá vosso locutor, José d’Egardes, muito bem posicionado numa posição em que o seu traseiro se encontrava paralelo com o assento onde por acaso assentava o dito cujo, e ocupava-se de ler o seu caro periódico e o insolitamente fascinante caso de um labrego severamente ataco por um caso crónico e agudo de elitrorragias, quando prontamente fui interrompido de tal sério assunto pelo meu companheiro e outrora amante, Maquiavel Pimentão.

            “Maldita seja aquela pústula maligna e a desditosa que a parturejou!”, que traduzindo num português mais acessível ao auditório seria algo da linha “Maldita **** e a **** que pariu aquela **** em primeiro lugar!”. Isto, meus caros ouvidores, era o discurso claramente conciso e organizado de Maquiavel Pimentão.

            Não pensem que por isto, meus inequivocamente erróneos amigos, que este belo exemplar de homem culto, erudito e de uma educação exímia, da qual se algum imberbe alguma vez vos comunicar alguma falta ou defeito confiem na palavra de quem sabe, será pura e mais falsa mentira!, não se deixem descair na ideia que tenha por costume Maquiavel ser assim tão excessivo nos seus queixumes paridos. Apenas se adequa aos problemas que ele tinha que aqui reporto:

            “A miserável da minha safada gata - ”

            “Aquela sobre a qual não aceitaste o meu conselho em excisar?” Prontamente interrompi para poder determinar sobre qual miseravelmente safada felina ele neste momento detinha a sua atenção.

            “Essa mesmo. Pois bem, o meu caro colega acredita que não sossega enquanto não me irrita, no sentido mais latino da palavra, pois com os seus arranhões dos quais não se trava de me dilacerar e incisar as minhas coutadas pernas, provocou-me das mais curiosas infecções e irritações de pele que até a um sauvant dermatologista licenciado em Harvard e cuja mulher se chamasse Epicleste Derme e fosse o equivalente dérmico a um Einstein ao quadrado seria capaz de me as diagnosticar? Mas o mais interessante e fascinante no caso, é que juro!, pela memória da minha mãe-

            “Que ainda vive e está de perfeita saúde…”

            “Sim, mas que de memória é que não, eu juro pela minha mãezinha… Que a teimosa da gata me arranha apenas com o único e certo propósito, tal como é certo eu ter de nome Maquiavel Pimentão, o de me provocar, pura e simplesmente!”

            Mantivemo-nos silenciados por breves momentos.

            “Isso ou então devias parar de bronzear as tuas pernas com atum.”

            “Ou isso.”

 

            Pois bem, já lá foi o meu caro amigo e mesmo na altura certa que agora vejo que chegava Carina Sibila, a de Marrocos, a que partilha uma caserna comigo nas reuniões de Comunistas Confidenciais, e vêm acompanhada de duas amigas, irmãs gémeas, cada uma mais bonita que a outra e no entanto tão fechadas e impenetráveis quanto túmulos de virgens Vestais e tão devotas na sua qualidade de sombras pálidas, se bem que bastante presentes, da Marroquina, que se acharia tratarem-se elas quase como próteses da jovem rapariga.

            Bufando e arfando, com o seu colar angelical, soando quase ao vibrar de um guizo de um gato, será irónico porventura, tendo em conta ser ela treinadora dos gatos e vem com má cara, após ter encontrado Maquiavel Pimentão, animal que ainda não foi capaz de domesticar. Ninguém sabe quem insultou o outro primeiro… Qui ça, não fora apenas um insulto que estivesse por lá a passar, inocentemente a apreciar a vista e eles o tivessem apanhado e seguido o seu raciocínio d’ódio (Não haverá país neste mundo onde possa um insulto andar livremente na rua sem que tenha que ser discriminado pelo simples facto de ter nascido insulto?) Discutiram pois, que se há de fazer, pergunto-lhe para a ouvir responder apenas “Castração”. Melhor não falar, queira eu proteger as minhas virtudes de homem e poder satisfazer a minha futura mulher na minha futura noite de núpcias.

            Não é de cara que se querem e não se entendem? Deus tenha paciência, que eu tenho olhos e espero por vê-los os dois ainda. Por enquanto, satisfaço-me olhando de soslaio as gémeas mudas.   

 

                                                           José d’Egardes


 

                                                              Bernardo Cão

reflexo de turma 12º 12 às 18:55

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3 comentários:
De pirua pirua a 3 de Março de 2008 às 21:12
farto-me de rir!! verdade!
que dores!!!
De outroscaminhos a 4 de Março de 2008 às 18:04
SOMOS DESTAQUE

Obrigado pelo apoio e pelas vossas visitas ao nosso blog!

Mais um bom texto.. :)
De silvie a 8 de Março de 2008 às 18:58
lool. duas palavras: mt bom! dois metros de benny! simpaticamente ( as treguas spr presentes) silvie

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