Sábado, 1 de Março de 2008

Carta

         Gosto de ti. É isto que queres ouvir? O que mais queres que eu te diga?
       Estou farta de declarações amorosas. São tão absurdas e inúteis.
       Porque é que eu hei-de gritar ao mundo que gosto de ti? Porque é que eu tenho de me despedir de ti com um simples adeus? Preferia correr até ti e beijar-te. Não seria muito mais romântico? Porque é que eu gosto de ti? Não podia simplesmente odiar-te? Estou tão farta destas declarações amorosas. No entanto, não consigo evitá-las. Quanto mais te nego, mais te quero. Quanto mais te odeio, mais te amo.
       Às vezes não sei se te amo ou se apenas te desejo. Talvez o que eu sinto por ti não seja amor ou paixão, mas sim desejo. Talvez me tenha deixado cair na rotina. Talvez não sinta realmente a tua falta, mas sim falta do modo como tu me fazias sentir. Talvez não tenhas passado disso mesmo: um hábito, uma distracção. Ou então talvez eu sinta ambas as coisas: amor e desejo. Para haver amor, não tem de haver desejo?
       - Amamos quem nos despreza para desprezarmos quem nos ama. – disse-me alguém. Muitas vezes penso nesta frase e pergunto a mim mesma porque tendo a escolher a pessoa errada? Porque é que o meu coração se engana?
        Eu mereço ser feliz. E durante algum tempo julguei poder ser feliz contigo. Mas mais uma vez errei. Errei ao apaixonar-me por ti. Dei-te o meu corpo, entreguei-te o meu coração, mostrei-te a minha alma. E tu não rejeitaste. Mas agora rejeitas. Talvez tenhas razão. Não existe futuro. Já não és o presente. Agora pertences ao passado.
       Se estivesses aqui agora, a minha única vontade seria perder-me nos teus braços. Mas não estás. A tua ausência é o que me resta. Nem mesmo as lembranças conseguem preencher este vazio. As lembranças intensificam ainda mais a tua ausência.
        Dizem que o tempo cura tudo. Será que o tempo também curará estas feridas?
        E assim te deixo esta carta, escrita não com a minha mão mas com toda a minha alma. Esta carta que nunca irá ser lida por ti. Esta carta de amor que eu escrevi somente para ti...

Daniela Freitas
sinto-me:
música: For my fallen angel - My Dying Bride
reflexo de turma 12º 12 às 16:35

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