Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

Me escuta, por favor

Meu amor, encontrar as palavras certas para dizer algo de importante nunca foi tarefa fácil. E agora, ainda por cima, encontrar as palavras certas para te falar de amor, o meu amor, é tarefa bem mais difícil. Não sei se vai ser nesta carta que vou exprimir tudo o que sinto, e talvez até já nem se usem cartas como forma de expressão, mas eu escrevo! Porque não posso adiar o meu amor para outro dia, não quero que este grito me sufoque ou se afogue na minha garganta. Porque adia-lo é deixar que esta dor estale e arda e eu não posso adiar este abraço que te quero roubar, é a minha própria vida... não a posso adiar!
Amor é termo que ainda ninguém soube definir ao certo. Nem mesmo os maravilhosos poetas que o tentaram fazer conseguiram. E talvez o que eu te vá dizer muita gente já tenha ouvido, pensado, vivido, sentido... mas ninguém o sentiu como eu! Aquele bater forte do coração quando estás por perto, o corpo a tremer, aquela sensação de inquietação irritante (que apesar de tudo sabe bem!), o friozinho na barriga, o pensamento sempre à volta do mesmo, uma respiração apressada, o evitar dizer algo de errado porque estás por perto, a vontade de dizer o teu nome, de estar junto a ti, de dizer em alto e bom som que te amo e que sou tua por vontade própria de me prender a ti. Sem ti vou fingindo a minha vida com o desgosto de não seres meu e chorando por um beijo que não virá.
Meu amor que vem não sei de onde, que dói não sei porquê, a secreta angústia do desejo, o querer alguém que não me quer. Ser o lixo de alguém, as cartas rasgadas que alguém não lê. É um sentir-me carente, esquecida. Como uma escrita inútil na areia do mar, como falar sem ser ouvida. É trazer nos meus olhos as minhas lágrimas e as dos outros. É sentir-me ser beijada mil milhões de vezes sem que os teus lábios encostem nos meus. É um vazio no meio do tudo. É uma cura que adoece. É uma escrita que vem com o anoitecer (quando depois do sol não vem mais nada). É estar alegre, feliz, contente e triste, melancólica e nostálgica ao mesmo tempo, sorrindo por ter sonhado o impossível, por ter enfrentado o sonho sem saber sonhar. Tudo o que amo perde valor quando não estás presente, quando não posso partilhar contigo as alegrias e vitórias das minhas conquistas diárias. Tudo o que me importa perde sentido quando não estás aqui para amparar-me quando o meu mundo se estilhaça. Tudo o que me faz sorrir perde prazer quando não estás aqui porque fico sem chão!
 Amor que não explica nem resolve nem duvida mas que me envolve como o vento às folhas, como a lua ao mar, como o beijo perdido e teu com o qual sonho nas noites sem dormir... Amor que não hesita, que é forte e ousado e teima em não partir. Amor que me angustia, que me culpa e me confunde. Sentimento destabilizador, enevoado e sem resposta. Amor que desequilibra, segredo assumido que me faz chorar e sorrir sem alternância. Doce amargura que me engana os lábios. Amor que é um enigma sem resposta, um quebra-cabeças sem solução, um mistério sem explicação plausível e racional. É uma indiferença que em vez de me fazer perder as forças impele-me a persistir. É um olhar mortífero que em vez de me matar me mantém viva. É uma pele mortal que me é vital. É o toque de quem não me toca, o cheiro que só sinto de longe, o abraço que espera e demora e tortura a minha esperança de um dia ver-te chegar mais perto.
Meu amor que foi sei lá pra onde e não voltou, que se dispersou no ar e no tempo sem me dar um adeus. Amor que me frustra e me anima. Que me sorri e me ignora. Que me ergue mas também me faz tropeçar. Amor que me passa ao lado, de raspão como uma brisa quente de verão numa tarde de Inverno. Amor que me alegra ao deprimir-me. Amor que me congela ao aquecer-me. Amor que me mata ao dar-me vida. Amor que amo ontem, hoje e sempre. Amo-te por ti e apesar de ti. É um amor de que quero e não me quero libertar. É um amor que me conforta, consola e sossega mas que também entristece, tumultua e faz chover. É um amor que me enriquece e me dá esperança mas também me fadiga e desespera. Arrebataste-me com um poder ao qual não posso resistir. Seria capaz de morrer para te garantir a segurança, o bem-estar e a integridade... És o meu credo e o meu único dogma mas sem ti não consigo respirar direito. És uma oferenda que nunca foi só minha, uma almofada que não me pertence mas que abraço para adormecer. És o meu raciocínio perdido e sem lógica, a minha mais alta ambição. És vida que cresce em mim e me invade a alma com um frio que me aquece e faz bater o meu coração através de uma pulsação que é quase uma música. Uma música que soa sem som...
Amar é isto! É sentir tudo por um mesmo alguém. É passar e ultrapassar todos os estados de espírito por causa de uma só pessoa. É experimentar todas as sensações por causa de um mesmo indivíduo. É existir por essa pessoa, resistir por essa pessoa, persistir por essa pessoa e desistir por essa pessoa. Em momentos e circunstâncias diferentes. Por razões, motivações e causas diferentes. Muitos sentem e definem o chamado "amor" de outras formas. Muitos vivem-no de outra maneira. Mas na minha essência, na minha explicação e na minha resposta AMAR: É achar-me quando estou perdida. É querer perder-me assim...
 
reflexo de turma 12º 12 às 15:31

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