Quarta-feira, 17 de Outubro de 2007

a única palavra & uma única palavra

para ti: uma palavra atrasada.

 

hoje...foi mau, pior.

venho sentindo uma solidão tão reprimente. frequento um espaço tão populado mas não encontro quem me queira apelar por carinhos e recordações...

sinto-me tão inútil, hoje...pior.

quis tanto partilhar o peso de eremita que venho carregando, e foram-se desviando os apoios, e a palavra daquela traduziu-se numa despedida, têm vida para viver e adeus depressa se forma na minha alma como um tumor, melhor, uma bolha, caindo tão frágil rebentando na mão calosa de carregar monolitos num dia mau, tão pior, pesos traduzidos duma ansiedade venenosa, que me prende os movimentos, cala os consolos...assim...dependente. agora pondo a simpatia de lado, estou neste momento a ser a coisa mais rastejante e despresivel que já te escreveu, que já sentiste, não sentes isso? tu sentes. tu sentes. és dura. e soubeste dizer-me quais flores iriam ser comidas pela geada. pressentes quais os destinados a esmorecer.

hoje. hoje, sim. uma música me ditou a angústia. até aquela merda de música segregada de carrascos e de falhas de consciência...até. deixo as maravilhas em estilhaços. transformando-me num conto sombrio, faço capitulos tão puros, tão desesperantes, tortuosos, levando as mãos à cabeça, voando escadas abaixo abafando crimes penosos. é a única vida que tenho, a única conversa, a única imagem dos meus dias, d'hoje, d'amanhã. quis partilhar. agarra um pouco disto. partilha. por favor. a palavra.

sento-me invadido por espasmos que me arrepiam e coçam as chagas.

sei que um dia vais querer responder à provocação, ao pedinte.

é só um bocadinho que quero dar. podes levar o mais pesado, eu sei que o podes fazer. por favor. por favor. tu podes, podes.

um sopro teu vai criar inóspitos divãs para que padeça.

agarra. tu podes. padeço.

sei que posso esperar a resposta para esta terceira carta, a única palavra.

sabes os infortúnios que nos derrubaram a ambos. sabes, sim. porque hoje, eu caí, pior que tu.

 

da incompensável necessidade de dias melhores.

uma única palavra

para ti: esta carta vai ser extraviada.

 

caíste pior que eu, assim seja.

não dou esmola aos destinados a esmorecer.

os pesos que tens de carregar não serão compartilhaveis, independentemente das vezes que os queiras legar a outros.

ninguém quer a miséria que te foi facilitada. a agonia e a vida de cão a que te candidataste. tu não sabes. ninguém quer. a que quiseste.

adeus.

gonçalo julião.                                               17/10/07

 

reflexo de turma 12º 12 às 19:41

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1 comentário:
De silvia a 22 de Outubro de 2007 às 13:55
Gostei muito Gonçalinho. um puco pessimista mas muito bem elaborado em todos os aspectos. sinceramente um dos teus textos que gostei mais...nao me perguntes porque...não faço ideia.

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