Quarta-feira, 17 de Outubro de 2007

O Luar do Absolutamente Coisa Nenhuma

 

Foram dias incontáveis de nevoeiro. A chuva indecisa surpreendia de quando em quando os mais temerosos e pessimistas. Anoitecia cada vez mais cedo e a noite, densa como o dia, indistintamente. Nenhuma catástrofe prevista, nenhuma profecia; nada de passados com futuros à mistura. É apenas meteorologia. O céu tem sono, nada mais.

                Envolvo-me. Não há nada a envolver. Envolvo-me em mim, nebulosamente. Sou um todo perfeitamente em sintonia solidária entre a terra e o céu.

                Passeiam grupos de pessoas que não são comuns aos olhos que as contemplam com afectiva habituação. Passeiam rente ao rio calmo, calculista e límpido como qualquer pensamento que pudesse inocentemente passar pela mente de qualquer um deles. Duvido que haja algum pensamento suficientemente hiperactivo para passar neste momento.

                As palavras são intrusas e apetecem, com uma fome, famintamente formal. Aparentemente nada do que apetece acontece. Apetece que chova e não chove, ou que faça sol e não faz. O habitual torna-se indesejado.

                Talvez pudessem fazer sol em conjunto mas é utópico e extenuante. Chover é do mesmo modo sadismo. Partilham-se, são singular, são um todo, são o céu duvidoso, o mundo. São o aqui e agora, a noite de todas as noites diurnas, eternamente numa única, insignificante noite, subjectivamente longa e indolor.

 

 

 

Sílvia

reflexo de turma 12º 12 às 16:52

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2 comentários:
De Daniela Freitas a 18 de Outubro de 2007 às 19:24
Sílvia... as tuas palavras encantam! Enquanto lia o teu texto diversas imagens passavam rapidamente pela minha cabeça e se desvaneciam e outras voltavam a surgir para depois se dissiparem... O teu texto representa uma atitude contemplativa... Parecia que eu estava a visualizar tudo... Gostei ;)
Continua =)
De Terry C. a 23 de Outubro de 2007 às 18:24
digo-te, com tanta antitese e com tanto antonimo... está perturbante, tem requinte e possui um nexo e ligações lógicas (vejamos, do ponto de vista do texto) que até hoje consegui encontrar, muito distintos, nos teus textos!
a certo ponto as frases antiteticas causam-me repulsa e admiração, daí perturbante e gracioso.
bj

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