Quarta-feira, 19 de Setembro de 2007

Café da manhã

     


       Um sol brilhante. Um céu azul e profundo. Uma brisa leve e doce. Um cheiro a relva acabada de ser regada.
A poucos metros, mistura-se o cheiro do pão fresco com o aroma da manhã.
    Lá, ao fundo da rua, crianças jogam à bola, soltam gritos estridentes, celebram cada golo com inocência. Ao mesmo tempo, carros buzinam, camiões transportam cargas e táxis recebem clientes.
    Aqui, mais de perto, do outro lado da rua, os vendedores preparam os últimos arranjos para abrirem as suas lojas.

      Aqui, ainda mais de perto, deste lado da rua, atrás de mim, as empregadas de mesa andam atarefadas, dum lado para o outro, levando os respectivos tabuleiros com os respectivos pedidos, "Um café cheio, bem forte, Dona Esmeralda!"; "Era uma torradinha e um suminho de laranja, se faz favor"; "Uma bica, carago!"; "Queria um bolo, por favor"...
     Enquanto o trabalho toma conta do estabelecimento, eu sento-me aqui, em plena esplanada, a saborear o que está à minha volta.
     Bebo o meu café e, por mim, passa uma bela mulher, de vestido branco, alta, com uns maravilhosos cabelos negros... Os seus delicados passos fazem-na deslizar por mim, deixando para trás um perfume cujo aroma me causa uma sensação forte... Desejo talvez...
    "Um capuccino, para levar, se faz favor", faz o seu pedido. A sua voz é melódica e os seus gestos são perfeitos. Paga pela bebida e sai do café. Passa por mim outra vez, arrastando consigo o divino perfume...
    Pego na minha chávena. Ela pega no seu copo de cartão. Os nossos lábios aproximam-se do devido recipiente com a mesma velocidade, o mesmo ritmo e com a mesma intenção. Tocamos, ao mesmo tempo, no ponto certo: ela no seu capuccino, eu no meu café. Sinto como se estivéssemos a dar um beijo. Um beijo amargo e doce - café e açúcar.
      Ela continua o seu caminho e desce a rua. Rapidamente, desaparece do meu campo de visão.
      Eu continuo o meu saborear e sento-me nesta cadeira. Devagarinho, folheio o jornal.
      Huuuum... Ainda bem que há dias assim.

      D-Furikuri  =)
sinto-me: Bem!
música: I・ZA・NA・I・ZU・KI - NEWS
reflexo de turma 12º 12 às 09:28

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2 comentários:
De Terry C. a 19 de Setembro de 2007 às 14:30
ninguém pediu chá doce!
oo pá!
eu pensei que este texto fosse do Catarino. este está muito masculino! e sensual, menos intenso que um que aqui publicaste há pouco tempo, mas logico ao mesmo tempo.
bj Furikury!
ihih
De Daniela Freitas a 22 de Setembro de 2007 às 11:48
Concordo. O texto está muito sensual. Acho que fizeste uma excelente descrição do dia da personagem =) Conseguiste criar um certo mistério nesta história e ao mesmo tempo uma veracidade autêntica! gostei muito deste texto! I can't find any more words to describe the beauty of this amazing text =)

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